domingo, 4 de março de 2012


VIDA, INFORMAÇÃO, ENTROPIA E NEGENTROPIA - Por Edson Paim & Rosalda Paim


"Vida, Informação, Entropia e Negentropia" é a designação do  V capítulo do livro SISTEMISMO ECOLÓGICO CIBERNÉTICO - UM PARADIGMA HOLÍSTICO, 4a. Edição - 2004 - 342 p., de autoria de Edson Paim & Rosalda Paim e representa aspecto do conteúdo do Pensamento Sistêmico Ecológico Cibernético Informacional, o qual constitui o quadro de referência ou base filosófica da "TEORIA SISTÊMICA ECOLÓGICA CIBERNÉTICA DE ENFERMAGEM", de Rosalda Paim, contida no Livro "TEORIA SISTÊMICA ECOLÓGICA - UMA VISÃO HOLÍSTICA DA ENFERMAGEM - 2a. Edição - Ano 2000 - 234 p., enquanto a 3a. edição já se encontra no prelo.
A seguir, apresentamos o referido capítulo:
  

   VIDA, INFORMAÇÃO, ENTROPIA E NEGENTROPIA


                                    (ABORDAGEM INFORMACIONAL)

A abordagem informacional privilegia o estudo dos circuitos de informação e comunicação que integra e permeia qualquer sistema de natureza física, biológica, tecnologia e social, incluindo seus processos internos e suas relações com o ambiente.
Este ponto de vista se fundamenta  na Teoria da Informação.
A teoria da informação ou Teoria Matemática da comunicação é um ramo da teoria da probabilidade e da matemática estatística que lida com sistemas de comunicação, transmissão de dados, criptografia, codificação, teoria do ruído, correção de erros, compressão de dados.  (Wikepédia).
A abordagem informacional corresponde à quarta etapa ou degrau do processo de construção da metodologia Sistêmica Ecológica Cibernética, a qual poderia ser designada, mesmo, Sistêmica Ecológica, Cibernética e Informacional, mas, por comodidade e, porque, na realidade, a Cibernética abriga, no seu seio, a Teoria da Informação, utilizaremos a primeira hipótese.
Embora concordando que a Teoria da Informação mereça identidade própria, cujo papel se avulta  como participante do conjunto de ciências da complexidade, para fins operacionais,  preferimos tratar da abordagem informacional como elemento constituinte da Perspectiva Cibernética, constante do Capítulo anterior, acompanhando Morin1, que  considera a Teoria da Informação como integrante da Cibernética.
Segundo Francelin2“Aceitando-se o objeto de estudo da ciência da informação em seu contexto, talvez não seja tarefa difícil detectar a relação entre a "Trindade profana" proposta por Morin (1999a) e a ciência da informação. São três teorias já conhecidas da ciência da informação que fazem parte desta Trindade": a teoria de sistemas, a cibernética e a teoria da informação.
Vale lembrar que Morin3 (1999a) reputa, à função da teoria de sistemas, da cibernética e da teoria da informação, uma possível via de entendimento de mundo que considera complexo, não suas relações, pois isto não seria possível devido às limitações da capacidade humana e dos fenômenos inexplicáveis propostos pela natureza, mas sim analisar a complexidade que permeia estas relações.”
O que talvez Morin4 (1999a) queira esclarecer por meio destas três teorias é que a informação, como a própria ciência da informação a entende, esteja presente em quase todas as fases da auto-organização de mundo proposta pelo autor e justamente naquilo em que a ciência da informação talvez não conceba tal ocorrência, ou seja, no ruído da mensagem entre emissor e receptor através de um canal, "[...] (ordem a partir do ruído), não apenas da desordem, mas a partir do ruído" (Morin, 1999a, p.29).
Ainda,  Francelinrefere: Portanto, parece ser interessante à ciência da informação uma aproximação do instinto formativo bachelardiano da complexidade morinana e sua "Trindade profana" (teoria da informação, cibernética e teoria de sistemas), pois entende-se que este possa ser o caminho para possível compreensão de determinados contextos de complexidade que possam envolver a atividade informacional.”
Teoria Geral dos Sistemas, a Cibernética e aTeoria de Informações se complementam entre si e se conjugam no trato de fluxos informacionais emecanismos de regulação e controle, constituindo, cada um componente desta tríade, aspecto relevante na constituição do Sistemismo Ecológico Cibernético. 
As informações estão na base da universalidade dos mecanismos de controle, além de permear todas as três ciências já referidas (Teoria Geral dos Sistemas, Ecologia e Cibernética), influi na totalidade dos processos biológicos e sociais.  
Estas três ciências, acrescidas da Ecologia, são as componentes essenciais, ou melhor, podemos afirmar que estes ramos do conhecimento constituem os quatro pilares principais do construto de nossa autoria -Sistemismo Ecológico Cibernético (Capítulos X a XII).
A idéia de dinamismo, de movimento, de processo, de “fisiologia”, que o Sistemismo encerra, é reforçada pelo concurso da Cibernética (integrante daTeoria Geral dos Sistemas) e pela Teoria da Informação (tributária da Cibernética).
Teoria da Informação não deve ser confundida com a tecnologia da informação e com a biblioteconomia
            O sistema humano, como outros sistemas vivos, em seu processo de integração, precisa, entre outros fatores, de comunicações e da informação, as quais consomem, desperdiçam e degradam energia.
informação, contida no código genético, permeia todos os organismos vivos, alcançando quaisquer dos seus processos interiores (estruturais ou fisiológicos) e a totalidade das suas relações com oambiente.
Em qualquer processo de transmissão demensagens, há possibilidades de equívocos, tais como erros de codificação, de emissão, de transmissão, de decodificação, ou perturbações várias, decorrentes da interferência de ruídos ou de outros fatores mecânicos.
Foi esta observação que deu ensejo à teoria matemática da informação (SHANNON & WEAVER, The Mathematical Theory of Communications, 1949): Shannon observou que uma mensagem enviada através de um canal qualquer sofre deformações diversas durante a transmissão, razão pela qual, ao chegar ao destino, uma parte das informações que continha já está perdida. Estabeleceu, assim, a analogia entre esta perda e a entropia, função que, com base no segundo princípio da termodinâmica, exprime a degradação da energia que se verifica em qualquer transformação de trabalho mecânico em calor, ao passo que a transformação inversa (do calor em trabalho mecânico) (nunca é completa).1
A partir da analogia entre a perda de informaçãoe a entropia, foi possível estabelecer que a quantidade de informações transmitidas poderia ser calculada comoentropia negativa.
Na transmissão das mensagens, assim como na transformação de qualquer modalidade de energia, aentropia negativa (negentropia) decrescecontinuamente porque a positiva (perda de informações ou degradação de energia) cresce continuamente.
 Com base nessa analogia, o calculo das possibilidades, utilizado pela termodinâmica pode ser empregado como instrumento muito oportuno para determinar as fórmulas com que a medida da quantidade de informações pode ser expressa em cada caso, cujas variações dependem do número e da freqüência dos símbolos utilizados, de sua possibilidade de combinação, da interferência dos fatores de perturbação dos símbolos e assim por diante. Nesse último caso, toma-se em consideração os símbolos chamados redundantes, cuja finalidade é prever e corrigir os erros de transmissão antes que ocorram, de tal modo que o funcionamento da transmissão seja corrigido antecipadamente pela previsão das perturbações com o processo de retroalimentação2” .
Quanto mais improvável é uma mensagem, maior é a carga de informação que ela transmite. Daí ter-se uma quantidade mínima de informação quando esta permite apenas uma escolha entre duas possibilidades que tenham a mesma probabilidade.
 Tal quantidade mínima foi estabelecida comounidade de medida de informação e designada bit(abreviação da expressão inglesa binary digit = cifra binária).
energia do universo tende a se distribuir no sentido de um  maior nivelamento, em sua forma mais degradada, anárquica, caótica, indiferenciada, equilibrada e mais estável possível, designando-se esta característica com o nome de entropia.
O termo entropia foi criado por Clausius(l850), estribado no segundo princípio da Termodinâmica, para denotar a tendência de todos os sistemas para o resfriamento, para o nivelamento energético, para a desorganização, indiferenciação e  catamorfose, para a  mesmice e o caos, para a morte.
Termodinâmica estuda a energia, sua transferência e condução, bem como os efeitos destes processos em um sistema determinado e no seuambiente.
Entropia é a medida da perda das características que fazem com que um sistema se diferencie do seuambiente.
 “Entropía es el grado de desorden, el equilibrio máximo en el cual no se puede haber cambios físicos ni químicos, ni se pude desarrollar ningún trabajo y donde la presión, la temperatura y la concentración son uniformes e irreversibles en todo el sistema. Solo los sistemas en desequilibrio pueden desarrollar trabajo.4
Consoante o princípio da unidade da energia, uma modalidade de energia pode ser transformada em outra.
“De acuerdo con la  primera ley de la termodinámica, en cualquier proceso el total de energía de un sistema más la de alrededores permanece constante. Sin embargo la energía puede sufrir transformaciones de una forma a otra, como lo son, el calor, la luz, la electricidad, la energía mecánica y la química. La segunda ley de la termodinámica limita los tipos de transformación de energía y predice la dirección en la cual dichas transformaciones deben ocurrir, desde un punto de vista estadístico, en cualquier proceso químico o físico. La segunda ley de la termodinámica establece que, en los sistemas cerrados, todo procede en la dirección del máximo equilibrio entre el sistema y sus alrededores (el universo). A esto se lo conoce como aumento de la entropía. Entropía es el grado de desorden y  de caos.5
Há uma tendência universal para os estados de maior degradação: catamorfose, indiferenciação, um direcionamento para baixo (resfriamento, nivelamento energético, desorganização, caos), enfim, a “morte entrópica”, incluindo a morte dos sistemas vivos.
Mario Chaves6  diz que Gibbs formulou a teoria de que essa probabilidade tende naturalmente a aumentar acompanhando o envelhecimento do Universo e que a medida dessa probabilidade é designadaentropia.
Há, pois, uma tendência universal característica da entropia de  aumentar continuamente, no sentido de estados de maior degradação: catamorfose, indiferenciação, tudo sendo direcionando para baixo (resfriamento, nivelamento energético, desorganização, caos), enfim, a “morte entrópica”, incluindo a morte dos sistemas vivos, designando-se esta tendência com o nome de entropia, a qual teria a probabilidade de aumentar com o envelhecimento do universo. A medida de tal probabilidade é designada entropia. 
Em razão dessa tendência de aumento contínuo e permanente da entropiapode se afirmar que o estado mais provável do planeta Terra é o seu totalresfriamento.
  Tal já aconteceu com Marte, cujo estado atual é um exemplo patente dos efeitos da ação da entropia, desenvolvida há bilhões de anos;
Um dia, em passado longínquo, Marte teria apresentado as condições climáticas semelhantes às existentes, hoje, na Terra, enquanto seu estado mais provável, de ambos, é o resfriamento total, assim como o estado mais provável da vida é a morte e, o estado mais provável da administração é o caos.
 “No universo como um todo, o estado mais provável é o caos, a quiescência, a desorganização, a morte entrópica, a catamorfose. O estado mais provável da terra é a nivelação, as montanhas destruídas pela erosão, os rios correndo para o mar e levando com eles a substância das montanhas pela gravidade. O estado mais provável do sol é o apagar-se depois que todas as reações possíveis, as explosões atômicas das quais a terra deriva sua energia tenham ocorrido, simplesmente porque a probabilidade de sua ocorrência vai aumentando com o passar do tempo. Embora o apagamento do sol esteja a bilhões de anos pela nossa frente, não poderemos deixar de pensar em nós mesmos, usando a brilhante expressão de Wiener, como náufragos no espaço confinados a um espaço condenado. 7
Mas, neste Universo físico, tendente para os estados de maior entropia, indiferenciação, catamorfose e mesmice, eis que em determinado instante, surge uma contra corrente à lei geral da entropia - a Negentropia - e a terra primitiva se transforma em um enclave negentrópico.
Nela a entropia tendeu para a diminuição, desenvolvendo-se uma situação de anamorfose, diferenciação e organização da matéria, surgindo a vida e, iniciando-se um formidável e belo "show" planetário.
“La materia viva ha evolucionado de la materia inerte. La materia inerte renueva continuamente los sistemas de materia viva al fluir por ellos, debido al consumo continuo de energía. 8
Os sistemas vivos constituem sistemas auto-organizadores, auto-reguladores e auto-reprodutores,dotados de mecanismos de feedback”,  portanto homeostáticos, cibernéticos.
 “A vida é o conflito do singular contra o universal; do desequilíbrio de cada sistema (em relação com seu entorno) contra o equilíbrio máximo; do esforço para manter instável com relação à máxima estabilidade a que tende a natureza; da diferenciação contra a indiferenciação; da ordem contra o caos e da sistematização contra a anarquia... A vida representa a evolução da matéria do estado mais provável para o estado mais improvável... a matéria e a energia se movem simultaneamente a favor e contra a vida... O organismo do ser humano, igualmente a  todos os sistemas de matéria viva, composto por duas ou mais células, constitui uma sociedade de células. 9
O ser humano representa um sistema,maravilhosamente construído, com muitas partes distintas interligadas e inter-relacionadas que contribuem de várias maneiras para a sustentação de sua vida, para a consecução do seu processo reprodutivo e suas demais atividades, cujo mecanismo de controle, de regulação,com a finalidade de manutenção da homeostasia é o dispositivo cibernético denominado “feedback”.
Sua importância é ressaltada pelas afirmações de Hans Reinhard Rapp10, citado por Marcelo Azevedo11"que quando o primeiro processo de feedback foi construído pela evolução começou a vida" e, quanto à oposição entre entropia e negentropia, repetimos a frase lapidar de Aurel David12, mencionada pelo mesmo autor: “... Mas a matéria vinda dos alimentos passou para o campo da vida e luta com ela contra o resto da matéria. …Quer se trate de órgãos vivos ou bens manufaturados, a matéria que os constitui deixa localmente o curso da entropia para seguir a nossa via.”
Aqui encontramos a mais expressiva manifestação da luta, do antagonismo entre a matéria viva e a matéria inerte, a mais significante constatação da relação dialética entre o ser vivo e o ambiente circundante, bem como a mais magistral maneira de expressar da incorporação dos alimentos à massa corpórea do ser vivente.
O surgimento da vida na terra é um evento ocorrido no sentindo inverso ao da entropia, portanto, um acontecimento  com caráter de improbabilidade.
 “Existen, sin embargo, sistemas que se oponen - aunque solo de manera transitoria - a este fluir de la naturaleza que se dirige de la luz y el orden al caos y a las tinieblas. Estos sistemas son los organismos compuestos por materia viva, que constituyen solo una ínfima parte de la materia y energía del cosmos y que, hasta donde se sabe, solo existen en el planeta Tierra. Este a su  vez está formado por una pequeñísima porción de la materia existente. 13
.           A vida constitui uma contra corrente à lei geral da entropia, existindo um conflito permanente entre oser vivo e o ambiente que vive, entendido o sistema ambiental como o somatório de seus quatro componentesum subsistema físico, um subsistema biológico, um subsistema social e um subsistema tecnológico.
 “La vida es una enfermedad incurable y una lucha contra la entropía. La medicina es una actividad del ser humano que trata de mantener la integridad de la estructuración y el desequilibrio del organismo humano, como sistema compuesto por materia viva, en contra la tendencia de la naturaleza a la entropía máxima, al equilibrio energético, a la in diferenciación, a la estabilidad y al caos.14"
A fim de se opor, temporariamente, à ação inexorável da entropia, o homem tem a necessidade de aplicação, contínua e permanentemente, de forças antientrópicos (negentropia), tanto com relação à vidae a saúde, como no que tange aos processos administrativos e às máquinas e, mesmo, ao própriosistema social global.
Negentropia, cujos sinônimos são: anatropia, neg-entropia ou neguentropia (entropia negativa = entropia com o sinal invertido),  contra-entropia, antientropia, ou ainda, entalpia, significa o movimento da energia no sentido de mais informação, maior organização, mais vida, saúde, progresso e aumento da complexificação, de um determinado sistema.            
Ao longo do processo evolutivo, os seres vivos,  agindo uns sobre os outros, integrando o próprioambiente ou ecossistema (biótopo e biocenose)  mantém  a sua transformação recíproca.
A interação e os conflitos entre os seres vivos e oambiente - ambos sistemas auto-organizadores, auto-reguladores e auto-reprodutores - direcionaram o processo de evolução e de diferenciação das espécies e, num passado longínquo, mediante um processo de hominização produziu o homem, cuja dimensão espacial é o corpo e, temporal, a longevidade e a historicidade e, atingindo o nível da consciência - o ápice da evolução biológica.   A origem da vida, a construção do código genético, os mecanismos da reprodução, todo o processo evolucionário, a diferenciação das espécies, a manutenção do equilíbrio dos organismos vivos (homeostasia), a aquisição dos mecanismos daconsciência e da linguagem são processosnegentrópicos.
 Estes processos seriam direcionados pelas próprias potencialidades ou “virtuosidades da matéria”, como preconizam autores materialistas ou por grande consciência, preexistente, como propugnam outros (idealistas), cuja controvérsia (e esta é a questão fundamental da filosofia), não se pretende discutir, aqui, até porque tal assunto poderia ser traduzido pela metáfora expressa na pergunta: “Qual teria surgido primeiro, o ovo ou galinha?”.
Todavia, se a organização da matéria como o surgimento da vida, tenha sido resultado de potencialidades ou virtuosidades intrínsecas da matériae, inscritas no seu próprio âmago, como preconiza Engels ou, decorrentes da vontade e ações de uma consciência superior e transcendental, como postulam outros.
Pelo menos, com objetivos operacionais (e o fazemos neste trabalho), poderíamos atribuir a designação de Negentropia a essa “força” ou energia, a esse princípio, esse poder organizador, seja ele, de origem endógena ou exógena, intrínseco ou extrínseco, em relação à matéria.
Negentropia é uma força apta a representar asíntese de todas as modalidades de energia, conhecidas ou desconhecidas, a qual teria ela presidido a organização da matéria e sua evolução “desde o mineral até a consciência”, na feliz expressão de Pierre Teilhard Chardin15"
Com base na lei de transformação da energia (uma modalidade desta pode ser transformada em outra), podemos, operacionalmente - para os fins deste trabalho- considerar a Negentropia como um elemento unificador (síntese) de todas as espécies de energia, conhecidas ou não.
Com referência ao surgimento da vida e à trilha da evolução biológica, ao processo de hominização(antropogênese) e a sociogênese, não é possível  precisar seus limites evolutivos e o futuro da humanidade e, nem mesmo, se cogitar a respeito, pois isto ultrapassa quaisquer possibilidades de previsão e, até de imaginação.
É esta ação negentrópica que reproduz e conserva temporariamente a vida dos animais e dos vegetais, promove a evolução biológica, assim como, mediante sua expressão em trabalho humano, processa toda a organização e evolução social, científica e tecnológica, em contraposição aos inexoráveis efeitos daentropia.
“La vida es lucha contra la entropía. Esta lucha que es parte del fluir de la materia y la energía en el cosmos, se lleva a cabo en la naturaleza de la cual todo forma parte. Es posible que sólo se limite a nuestro pequeño planeta, que gira silenciosamente en el espacio infinito de una noche eterna. La energía del universo tiende a distribuir-se en todo el espacio en busca del equilibrio, de la mayor estabilidad, de la mayor dispersión y probabilidad posibles, lo que da lugar al grande desorden, a la mayor redistribución, al caos y la entropía máxima.16”       
Cada célula de um organismo multicelular constitui um sistema, situado no seu ambiente - o espaço intercelular - com o qual efetua intercâmbios dematéria, energia e informações,  estabelecendo uma luta constantemente contra a entropia e, mediante mecanismos cibernéticos de “feedback” procura manter o maior nível de homeostasia, permissível pelo seu potencial genético.
“En cada célula se resumen las tres funciones fundamentales de la materia viva que son: el metabolismo, la reproducción y la adaptación.  Cualquier sistema que metaboliza  y se perpetúa está compuesto por materia viva. Desde este punto  de vista, los virus son sistemas - compuestos de materia viva   - aun más simples que las células. Todas las funciones de la célula, como organismo compuesto por materia viva, significan movimiento, transformación, flujo y recambio constante de materia en el sistema para lo cual se requiere un aporte continuo de energía. Las funciones metabólicas son la nutrición, la respiración y la síntesis de compuestos; de ellas depende la integridad de la célula, como sistema, durante su lapso vital.17"
Ao longo do processo evolutivo, os seres vivos (sistemas  auto-organizadores, auto-reguladores e auto-reprodutores), agindo uns sobre os outros, integrando o próprio ambiente ou ecossistema (biótopo e biocenose),  mantém  a sua transformação recíproca.
Se considerarmos o ser vivo como tese e, o conjunto   espaço-temporal (ambiente e tempo) comoantítese, a síntese será a vitória inexorável dessa dupla sobre cada ser vivo, resultando na morte (síntese).
Podemos, entretanto, fazer outra assertiva, igualmente verdadeira, em que o par dialético - vida(tese) e morte (antítese) resulta na evolução (síntese),colocando, pois, a própria morte, a serviço daevolução e caracterizando a Dialética dos Sistemas Vivos e a Dialética Cibernética, por nós propostas, o que pode ser expresso através do:

Princípio Tanatoteleonomia

            A morte é a resultante da predominância absoluta das ações entrópicas sobre as negentrópicas nos sistemas auto-organizadores e auto-reguladores e representa um dispositivo de retroação ("feedback") dos sistemas vivos, cuja teleonomia é possibilitar a manutenção da cadeia alimentar, do equilíbrio ecológico e o desenvolvimento do ciclo da matéria, restituindo-a ao estado de indiferenciação, como constituinte do sistema físico, além de assegurar o processo de diversificação das espécies e da evolução biológica.

Neste Princípio estão contidos, ao mesmo tempo,   fundamentos da dialética e da cibernética, cuja justaposição permitiu a proposta da Dialética Cibernética.
“Por medio de la oxidación los compuestos orgánicos  liberan energía y, a su vez, la oxidación significa envejecimiento y aumento de la entropía de dichos sistemas. La oxidación es necesaria para la vida y, al mismo tiempo, significa la muerte. En esto sentido, nos dice Laborit: “Resumiendo, las oxidaciones tendrán el envejecimiento por consecuencia. No es, pues, ilógico decir, que el oxígeno es el tóxico esencial a la vida... Se llega, pues, a un dilema: una forma de vida perfeccionada como la nuestra tiene necesidad de los procesos oxidativas y del oxígeno molecular; pero esos procesos son, sin duda, la origen del envejecimiento y de la muerte. La eternidad o la sumisión al medio, o la libertad y la muerte. En el punto de evolución biológica a que hemos llegado, es evidentemente difícil de imaginar una solución que nos permita conservar la vida y la libertad sin oxígeno.18"
A capacidade que tem o homem de atuar e transformar seu próprio sistema ou seu ambienteconstitui trabalho. O trabalho, tanto muscular como intelectual, correspondem ao movimento da matéria, energia e informações e constitui a base de toda atividade econômica.
Há uma constante transferência de entropia de umsistema para outro ou para o ambiente e vice versa.
O ser humano, igualmente a qualquer sistema biológico, sofre um desgaste ou deterioração ao transformar energia em trabalho, ocasionando, pois um aumento da entropia em seu organismo.
O homem, ao atuar sobre a matéria, a fim de transformá-la em objeto, acrescenta-lhe negentropia, diminuindo a entropia deste, enquanto a negentropiado corpo do trabalhador fica diminuída, em razão da transferência para o objeto trabalhado e, conseqüentemente, a entropia do seu organismo torna-se aumentada. Dialética e
Quando nem o equivalente da negentropia,despendido pelo corpo do trabalhador for reposto, mediante o salário recebido, se caracteriza a mais expressiva autêntica forma de “mais valia”.
Se o estado entrópico, decorrente do trabalho, não for neutralizado, mediante a reposição denegentropia, ou entropia negativa, resultante será pobreza, miséria, doença e morte.
Las enfermedades, tanto físicas como mentales son... manifestaciones de entropía dentro del sistema-organismo-humano que tiende, en mayor o menor grado, a su caos o anarquía. La curación significa buscar los mecanismos de aporte energético que permitan el desequilibrio, ya que la muerte significa el equilibrio con el universo.19"
A referência supra ao equilíbrio com o Universo significa  a involução da matéria viva até o seu nivelamento com a matéria inerte que corresponde à maioria da constituição do universo.
“La materia viva existente incluye una parte ínfima de la totalidad de la materia inerte que hay en el universo.20"
As ações de saúde correspondem a um conjunto de medidas capazes de possibilitar a transferência denegentropia do ambiente para o corpo da pessoa assistida, objetivando manter o desequilíbrio deste com o universo.    
“La medicina pretende mantener funcionando correctamente los mecanismos, que el mismo organismo humano utiliza, para permanecer diferenciado y en desequilibrio con el medio ambiente, para continuar vivo, y eliminar todo aquello que agrede y amenaza la integridad y la estructura del organismo.21
Os processos de informação e comunicaçãocontribuem para a diminuição da entropia no interior dosistema social, às expensas do ambiente, cuja entropiaé aumentada.
O aporte de negentropia no organismo humano e no sistema social, como um todo, corresponde a um aumento da entropia do ambiente.
“Los sistemas compuestos por materia viva (organismos e sociedad) negativizan su entropía “robándole” entropía negativa a sus alrededores, ya que así mantienen su orden y su desequilibrio ocasionando desorden e equilibrio en el medio que los rodea. Se introduce una cantidad de entropía negativa de fuera hacia a dentro del sistema compuesto por materia viva.22
entropia dos sistemas vivos é neutralizada pela reposição de negentropia ou entropia negativa -expressões que se equivalem - mediante a sua extração do ambiente. 
Há uma interação entre os sistemas vivos e osistema ambiental, constituindo um todo em que ambos se afetam mutuamente, correspondendo a um processo integrativo, em que um é parte do outro, formando, na realidade, um novo sistema de maior amplitude, de natureza mistasistema vivo/ecossistema. 
Face à sua importância do antagonismo entre aEntropia e a Negentropia, o tema será complementado nos Capítulos VII - Cibernética dos Sistemas Vivos, VIII -Dialética dos Sistemas Vivos,  IX - Dialética Cibernética e - Sistemismo Ecológico Cibernético e,cujos princípios estão sintetizados nos Capítulos XI e XII, constituindo, estes três últimos, a perspectiva sistêmica ecológica cibernética que corresponde ao objeto precípuo deste livro.



Todos os direitos reservados aos autores
copyright Ó by Edson N. Paim e Rosalda C.N. Paim

Diagramação: Marcos A. de Oliveira
Técnico em Informática

Dados Internacionais de catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

                Paim, Edson N.
                Paim, Rosalda C. N.
Sistemismo Ecológico Cibernético /  Edson N. Paim,  Rosalda Paim
                               Técnica: Marcos Antônio de Oliveira  - Lambari (MG);
                               Cel Informática & Editoração Ltda., 2004. 342 p.

                1 - Sistemismo Ecológico Cibernético - Um Paradigma Holístico  

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Visão Ecológica - Por Edson Paim & Rosalda Paim




Visão Ecológica é a expressão cunhada por Rosalda Paim, quando da elaboração de sua Teoria Sistêmica de Enfermagem (1967/74) para denotar a visualização ou o estudo de quaisquer sistemas. mediante o prisma ou a perspectiva da Ecologia e, constitui uma etapa intermediária, utilizada para a elaboração, na esteira da Complexidade, do Pensamento Sistêmico Ecológico Cibernético Informacional (PSECI), o qual corresponde ao quadro de referência ou base filosófico da sua "Teoria Sistêmica Ecológica Cibernética de Enfermagem.

A Visão Ecológica ou Perspectiva Ecológica constitui o segundo capítulo do Livro SISTEMISMO ECOLÓGICO CIBERNÉTICO - UM PARADIGMA HOLÍSTICO, 4a. Edição - 2004 - 342 p., de autoria de Edson Paim & Rosalda Paim, o qual é apresentado a seguir:




CAPÍTULO II


VISÀO ECOLÓGICA

A visão ecológica é a percepção da realidade sob a ótica, sob o prisma, sob a perspectiva daEcologia.
No capítulo anterior, apresentamos o Sistemismo como o primeiro degrau da metodologia Sistêmica Ecológica Cibernética ou Eco-sistemismo Cibernético.
A Visão Ecológica constitui o segundo degrau do referido quadro de referência, como veremos no terceiro capítulo, intitulado Sistemismo Ecológico.
A par da utilização do enfoque sistêmico da Ecologia, proposto no capítulo anterior, preconizamos a abordagem, simultânea, dos sistemas, tanto sob os cânones do Sistemismo, como através do prisma da Ecologia, resultando daí, uma dupla perspectiva: Sistêmica e Ecológica..
Recíproca e simultaneamente, advogamos o emprego da abordagem do ambiente sob uma perspectiva sistêmica, com base nos cânones daTeoria Geral dos Sistemas (Sistemismo), além da sua óbvia focalização sob o prisma eminentemente ecológico, surgindo, então, a Ecologia Sistêmica.
Desta estratégia resulta a necessidade de utilização de um sistema discursivo ecológico na visualização dos sistemas e, vice-versa, a aplicação de uma linguagem sistêmica na descrição do ambiente dos sistemas, estratégia capaz de enriquecer, tanto o próprio estudo do sistema como o do respectivo ambiente.
O estudo de um determinado sistema, sem se considerar o ambiente que o envolve, se tornaria uma abordagem insuficiente, limitativa, fragmentária ou reducionista, tendo em vista que as condições ambientais que envolvem o sistema o afetam de modo significativo e, vice-versa.
Na verdade, o ambiente afeta o sistema, tanto quanto por este é afetado, "vivendo" ambos, em permanente interação recíproca.
Segundo Edgar Morin1, “a nova teoria biológica, por mais incompleta que ainda seja, altera a noção de Vida. A nova teoria ecológica, por mais embrionária que seja, altera a noção de Natureza. A ecologia é uma ciência natural, fundada por Haeckel em 1873, que se propõe a estudar a relações entre os organismos e o meio, onde eles vivem.”
O mesmo autor prossegue::
“Todavia, seja pelo fato da preocupação ecológica ter permanecido menor no conjunto das disciplinas naturais, seja porque o meio era concebido essencialmente como um molde geoclimático por vezes formativo (lamarckiano), outras vezes seletivo (darwiniano), em cujo seio as espécies vivem numa desordem generalizada e em que apenas reina uma lei, a do mais forte ou do mais apto, a verdade é que a ciência ecológica só recentemente concebeu a comunidade dos seres vivos (biocenose) num espaço ou “nicho” geofísico (biótopo), constituindo, juntamente com este, uma unidade global ou ecossistema. Porque razão sistema?
Ele próprio responde:
- “Pelo fato de que o conjunto das sujeições, das interações, das interdependências, no seio do nicho ecológico, constitui apesar e através de eventualidades e incertezas, uma auto-organização espontânea. Com efeito, equilíbrios criam-se e recriam-se entre índice de reprodução e índices de mortalidade. Estas regularidades, mais ou menos flutuantes, estabelecem-se partindo das interações.”
Apesar dos conflitos e antagonismos existentes entre os seres vivos e o ambiente, das associações harmônicas e desarmônicas (inter)intra-espécies, do funcionamento da cadeia alimentar, há um notávelequilíbrio ecológico, pois os ecossistemas possuem a capacidade deauto-regulação e auto-organização, determinado, enfim, pelo clima de cooperação e competição
“Há complementaridades que se estabelecem partindo das associações, simbioses e parasitismo, mas também entre comedor e comido, entre predador e presa, há hierarquias que se estabelecem entre as espécies; assim, da mesma forma que nas associações humanas em que não só as hierarquias, mas também os conflitos e as solidariedades se encontram entre os fundamentos do sistema organizado, a competição (matching) e o ajuste (fitting) são alguns dos fundamentos complexos do ecossistema. Através de todas estas interações, constituem-se os ciclos fundamentais: da planta ao herbívoro e ao carnívoro, do plancto ao peixe e ao pássaro: um ciclo gigantesco em que a energia solar produz o oxigênio, absorve o gás carbônico e une, por meio de mil retículos, o conjunto de seres do nicho ao planeta; nesse sentido o ecossistema é, por certo, uma totalidade auto-organizada. Assim, não era um delírio romântico considerar a Natureza um organismo global, um ser matricial, desde que não se esqueça de que essa mãe é criada por seus próprios filhos e de que ela também é madrasta, utilizando também a destruição e a morte como meio de regulação. 2”
A destruição e a morte constituem mecanismos de “feedback”, ou cibernéticos, de regulação e controle da natureza, buscando permanentemente o equilíbrio ecológico, tudo a serviço dabiodiversidade.
Qualquer sistema persiste inserido em um ambiente, com o qual se relaciona (o ser e o ecossistema). Os sistemas só podem existir noambiente. Há apenas uma exceção: o único sistema sem ambiente é o próprio universo, pois não podemos conceber algo em seu entorno, constituindo, nesta acepção, um sistema fechado.
Um sistema de qualquer natureza, adicionado de seu ambiente, corresponde à totalidade douniverso.
“A ecologia ou, antes, a ecossistemologia (Wildem, 1972), é uma ciência que nasce, mas que já constitui uma contribuição primordial para a teoria de auto-organização do ser vivo e, no que diz respeito à antropologia, reabilita a noção de Natureza e, nela, enraíza o homem. A natureza já não é desordem, passividade, meio amorfo: é sim, uma totalidade complexa. O homem não é uma entidade estanque em relação de autonomia/dependência organizadora no seio do ecossistema. 3”
A colocação da natureza como uma totalidade complexa, sanciona a nossa proposta da necessidade da existência de uma Ecologia Sistêmica, de igual forma que a imposição do surgimento de uma Biologia Sistêmica.
Semelhantemente a todos os sistemas abertos que estabelecem constantes relações (estruturais, organizacionais e funcionais) entre todos os seus elementos componentes (subsistemas), o ecossistema só pode ser enfocado, também, como um sistema e, por isso mesmo, abordado sob uma visão sistêmica.
Todas as atividades de um sistema como ocorrecom próprio ser humano, são relações de intercâmbios internos (intra-sistêmicas ou inter-subsistemas) e, também relações do todo com o seu exterior - ambiente, entorno, ecossistema - o que pode ser sintetizado como relações de trocas de matéria, energia e informações.
Esta tríade, em virtude de as informações serem sempre mediadas pormatéria e energia, poderia ser simplificada ou reduzida a dois termos (matéria e energia) e, em razão da unidade da matéria e da energia,seria possível empregar um só desses termos (matéria ou energia), entretanto, preferimos utilizar, sempre, a tríade: matéria, energia e informações, estratégia mais vantajosa, uma vez que, cada uma delas tem seu papel específico, atendendo melhor ás razões didáticas, à lógica, aos propósitos e finalidades deste trabalho.
Em virtude de que os intercâmbios entre osistema e o ambiente afetam a ambos mutuamente, seria considerado reducionista o estudo de qualquersistema que não abranja, também, o do seuambiente.
No intuito de sanar este caráter fragmentário, reducionista, propomos que, na abordagem de quaisquer sistemas, deva mos acrescentar, sempre, o exame de sua dimensão ambiental (ecológica), mediante a aplicação dos conceitos da Ecologia.
A ecologia, nos dias presentes, deve ser considerada em seu sentido mais amplo, abrangente e irrestrito, visualizando o próprio ambiente, como umsistema, estudando-o não só sob a abordagem ecológica, mas, concomitantemente, através doenfoque sistêmico, o que não só caracteriza como justifica nossa proposta de uma Ecologia Sistêmica.
Percebida e assimilada a Ecologia em sua dimensão atual, a visão ecológica, aliada ao enfoque sistêmico, permitirá uma abordagem de natureza, ainda mais abrangente, ao constituírem avisão sistêmica ecológica, referencial obrigatório para o estudo das relações e interações dos sistemascom o ambiente que os envolve e vice-versa.
Esta perspectiva é, sobretudo, imprescindível, quando se aborda a complexidade do sistema humano e de seus metassistemas (família, comunidade, sociedade).
Segundo Pierre Aguesse,4” a par da sua concepção clássica, a ecologia deve "incluir o Homo Sapiens e suas atividades", pois "a ecologia não é mais apenas a ciência do naturalista, de vez que disciplinas tão variadas como o direito, a economia, a sociologia, etc. devem estar incluídas no seu campo de investigação", resultando em verdadeira ciência o homem.
Uma visão ecológica do homem sugere o seu estudo, de maneira dissociada seu contexto sócio-ambiental, através da Ecologia Social
Para Bougley,5” a ecologia "antes era disciplina um tanto difusa e incoordenada que lutava para abarcar estudos como a fisiologia, a genética e a evolução".
Podemos incluir as atividades laborais comorelações ecológicas (um aspecto da ecologia humana), pois se trata de uma ação do ser humanosobre o ambiente e/ou sobre outros sistemassituados, também, no ambiente, inclusive os outrossistemas humanos, cuja interação implica em afetação mútua e recíproca.
Estas relações podem ser traduzidas comotrocas de matéria, energia ou informações entre otrabalhador e o ambiente, ou mais apropriadamente como uma transferência de entropia negativa(negentropia) do corpo humano para o ambiente de trabalho e/ou para o objeto trabalhado.
Hoje em dia, um processo de globalizaçãocrescente está curso, em escala planetária, nos diversos setores da sociedade, afetando todos os seres humanos, indistintamente, principalmente os trabalhadores e os segmentos mais discriminados da sociedade, em virtude da maior dificuldade para adaptação às condições de mudança.
A globalização estabelece um sistema de “vasos comunicantes” entre todos os processos sociais, sobretudo de natureza cultural, política e econômica. Este fato vem reforçar a necessidade e está, mesmo, a impor uma mudança de paradigma e uma nova abordagem da realidade.
A globalização é conseqüência lógica da evolução e rapidez dos meios de transporte, do desenvolvimento dos processos de comunicação, da transmissão instantânea das informações e, da informatização de variados setores da sociedade, tudo em nível planetário.
Este fenômeno avança a cada dia e veio para ficar, para permanecer, por isso, teremos de assimilar aglobalização, com as suas virtudes e seus efeitos colaterais, queiramos ou não, já que ela constitui uma realidade, quer seja ou não de nosso agrado.
Não adianta permanecermos à maneira de um cachorro que late diante da lua ou tomar atitude de avestruz, enterrando a cabeça na areia, diante do vento.
Em face deste processo globalizante, oambiente ou ecossistema em que o homem vive tem dimensão planetária: a aldeia global referida porMcLuhan11.
Em relação aos efeitos danosos da era daglobalização, um dos antídotos é o conhecimento e a utilização do Sistemismo e das metodologias dele decorrentes, o que se torna, cada dia, mais necessário, a fim de melhor entender esse processo globalizante e, conseqüentemente, lutar contra suas conseqüências nefastas e capacitando-nos para, ao mesmo tempo, aproveitarmos as suas potencialidades benéficas, entre as quais se destaca os projeto de inclusão digital que permitirá a universalização do acesso às informações pelos setores mais oprimidos da sociedade, como instrumento de ascensão social.
.A Teoria Geral dos Sistemas12(Sistemismo) e o Sistemismo Ecológico Cibernético se credenciam como teorias da globalização e, por isto afirmamos que desconhecê-las é se tornar incapacitado para aceitar a inexorabilidade desse processo, para compreender as suas repercussões e atuar em função da possibilidade de evitar seus efeitos danosos.
Seus reflexos se fazem notar no sistema antropossocial, como um todo, no futuro das empresas e, na vida de cada ser humano, impedindo-lhes de usufruir as suas potencialidades benéficas e de se expressar em toda a plenitude.
O Sistemismo, estabelecido há meio século, foi capaz de prever o surgimento desta nova realidade e pretendeu representar uma etapa decisiva na construção e evolução de um referencial capaz de corresponder às necessidades dos tempos modernos.
Esta metodologia, reforçada através da contribuição da Cibernética e da Teoria da Informação, enfatiza o equilíbrio dos sistemas,entre os quais o do corpo humano, enquanto ampliada pelo concurso da Ecologia, extrapola o âmbito do sistema, para abranger, também, oambiente (sistema ambiental), em que o sistemaem causa está inserido.
Ao longo do processo VIDA, o estado deequilíbrio, a homeostasia, a saúde, seria uma condição natural do ser humano, enquanto que o fenômeno doença representaria, simplesmente, intercorrências, em determinados instantes da sua trajetória vital.
O evento patológico corresponde à resultante dos efeitos, concomitantes, de potencialidades genéticas e de inadequadas relações ser humano com o ambiente,que podem ser traduzidas por impróprias relações de intercâmbio de matéria, energia e informações entre o sistema humano e o ambiente em que vive.
Atualmente, as condições ambientais se deterioram progressivamente, mercê das ações deletérias do homem sobre o ambiente, resultante, dentre outras causas, da voracidade econômica, provocando a destruição da natureza e minimizando, quase sempre, os dispêndios com medidas de sua conservação e com atividades de saneamento básico.
O saneamento básico representa o “primo pobre” das obras de infra-estrutura, por aparecer menos que as pontes, as estradas e os hospitais, não têm merecido a necessária atenção dos administradores, apesar de seus enormes dividendos auferidos pela população, expressos por benéficos reflexos, principalmente, no âmbito da saúde pública.
As referidas condições são potencializadas pela ausência ou insuficiência de outras providências profiláticas e de ações controladoras da poluição, provocando a degradação do ecossistema, condições agravadas por inadequada consciência ecológica,individual e coletiva.
O Sistemismo preconiza uma visão ouabordagem sistêmica dos elementos constituintes da realidade, inclusive, do próprio homem (sistema humano).
Com fundamento nas idéias expostas, apresentamos três dentre osPrincípios do Sistemismo Ecológico Cibernético, objeto deste livro:
1 - Princípio da Universalidade Ecológica

A abordagem de quaisquer sistemas - físicos, biológicos, tecnológicos e antropossociais - deverá, necessariamente, abranger a focalização de seus metassistemas e do ambiente em que se acham inseridos, mormente as referentes às relações de trocas de matéria, energia e informações entre o sistema e seus subsistemas e, de ambos com o ambiente.

O homem, ao transformar o ambiente, mudou, também, de maneira acentuada e drasticamente, o espectro nosológico.
No passado, as doenças dependiam, além dos fatores genéticos, predominantemente, de condições preexistentes na natureza (ambientes físico e biológico), que ainda condicionam variadas patologias, características das regiões subdesenvolvidas.
Presentemente, a etiologia das doenças está grandemente relacionada com fatores determinantes e condicionantes sociais (ambientes tecnológico e social), mais acentuadas nas áreas desenvolvidas, coexistindo, entretanto, ambas as condições, nas regiões em desenvolvimento.
Dos grandes flagelos que assolam, presentemente, a humanidade inteira, inclusive os habitantes dos países desenvolvidos, dois, antagônicos se destacam, pela amplitude e conseqüências: de um lado a desnutrição, a fome crônica e, de outro a “hipernutrição” (obesidade), - esta, correspondente, de um modo geral, a uma desnutrição qualitativa -ambas, de caráter endêmico e planetário.
Na verdade, a fome e a obesidade constituem duas enormes pandemias que atingem quase a totalidade dos habitantes da Terra, excetuando, apenas, uma pequena faixa intermediária (“bord line”) da população, passível de ser considerada em estado de higidez.
Com relação à hostilidade do ambiente, o ser vivente pode se comportar de uma, ou mais, das seguintes maneiras:
· Adapta-se ao ambiente;
· Transforma o ambiente;
· Muda de ambiente ou
· Sucumbe.
A introdução da visão ecológica neste trabalho decorre da importância dos efeitos do ambiente sobre todos os seres vivos e, sobre a totalidade dossistemas nele contidos, mormente, os que envolvem ohomem e à sociedade.
A enfatização da ecologia não se faz em detrimento do ser humano, como ocorre com determinado ecologismo vigente, através do qual, alguns “ambientalistas”, ou seja, supostos ecologistas, privilegiam o ambiente, em detrimento do homem.
“A nova consciência ecológica deve mudar a idéia de natureza, tanto nas ciências biológicas (para as quais a natureza não passava de selecionadora dos sistemas vivos e não era ecossistema integrador desses sistemas) quanto nas ciências humanas (em que a natureza era amorfa e desordenada). Outra coisa que deve mudar é a concepção da relação ecológica entre um ser vivo e o seu meio ambiente. Segundo o antigo biologismo o ser vivo evoluía no seio da natureza, limitando-se extrair dele energia e matéria, dele dependia unicamente no que se referia a alimentação e suas necessidades físicas. É a Schrödinger, um dos pioneiros da revolução biológica, que devemos a idéia capital de que o ser vivo não se alimenta só de energia, mas também de entropia negativa. (Schrödinger, 1945), isto é de organização complexa e informação. Esta proposição foi desenvolvida diversamente e pode-se afirmar que o ecossistema é co-organizador e co-programador do sistema vivo que se encontra integrado nele (Morin, 1972). Esta proposição apresenta uma conseqüência teórica muito importante: a relação ecossistêmica não é uma relação entre duas entidades estanques; trata-se de uma relação integrativa entre dois sistemas abertos em que cada um é parte do outro, constituindo um todo. 13”
Há uma interação entre os sistemas vivos e osistema ambiental, constituindo um todo em que ambos se afetam mutuamente, correspondendo a um processo integrativo, em que um é parte do outro, formando, na realidade, um novo sistema de maior amplitude, de natureza mista: o sistema vivo/ecossistema.
“Enquanto a Ecologia modifica a idéia de natureza, a etologia modifica a idéia de animal. Até então, o comportamento animal parecia ora comandado por reações automáticas ou reflexos, ora por impulsos automáticos ou “instintos”, ao mesmo tempo cego e extralúcidos, cuja função era satisfazer as necessidades de proteção, de sobrevivência e de reprodução do organismo. Ora, as primeiras descobertas etológicas indicam que o comportamento animal é, ao mesmo tempo organizado e organizador. Primeiramente surgiram as idéias de organização e território. Os animais comunicam-se, isto é, exprimem de um modo que é recebido como uma mensagem e interpretam comportamentos específicos como mensagens (Sebeok,1968).14”
A influência constante e permanente doambiente sobre o sistema humano e seu comportamento, pode ser expressa pelo acoplamento do Enfoque Sistêmico com a Visão Ecológica, como se verá no Princípio da Ecologia Sistêmica, o qual consta do capítulo III.
A expressão vulgar: “o homem é produto do meio” tem seu fundamento, desde que se lhe acrescente o outro fator, preponderante, o seu patrimônio genético.
Com apoio nesta assertiva, formulamos o:
2 - Princípio Genético-Ambiental

O ser humano é, em cada instante de sua trajetória existencial, a resultante dos efeitos de dois componentes: um genético, expresso pelo conteúdo informacional (instruções codificadas em linguagem cromossômica), equivalente a um projeto inscrito no seu genoma e, outro, correspondente ao impacto ambiental sobre patrimônio genético, produzindo conseqüências cumulativas, cuja historicidade, acrescida dos resultados instantâneos desses fatores, em cada momento considerado, extrapolando para abranger o seu vir-a-ser, tudo sintetizado como o somatório cumulativo das conseqüências das trocas de matéria, energia e informações entre o organismo e o ambiente, ocorrentes no decurso de todo o processo “vida”, incluindo as potencialidades, os projetos e o devir desses intercâmbios.

- Corolários:

- O ser humano é, em determinado instante de sua trajetória existencial a resultante dos efeitos conjuntos da sua programação genética, expressa em linguagem cromossômica e, da história, adicionada da ação instantânea das trocas de matéria, energia e informações intra-sistêmicas e, do organismo, em sua totalidade, com o ambiente, incluindo, também, o seudevir.
- O homem é, em cada instante considerado, o seu passado, seu presente instantâneo e o seu futuro.
- O presente, o passado e, o vir-a-ser do ser humano estão na dependência das informaçõesarmazenadas no seu código genético e dos efeitos cumulativos (históricos, instantâneos e futuros), decorrentes das ações de trocas de matéria, energia e informações entre o referido ser e o ambiente.
Este Princípio poderia, também, ser designado como Princípio Genético (Histórico-Instantâneo-Futuro)-Ambiental.
Ao encerrarmos este capítulo, insistimos em reafirmar o grande poder de síntese da Teoria Geral dos Sistemas 13, o que se torna evidente, ao permitir relacionar tudo que existe no universo em, apenas, quatro linhas de sistemas:
- um sistema físico que vai do átomo ao Universo físico;
- um sistema biológico - desde o vírus até ao homem;
- um sistema tecnológico - iniciando com a flecha (ou qualquer outro instrumento, mais primitivo ainda, para chegar aos engenhos espaciais);
- um sistema antropossocial - a partir da família até a sociedade planetária
Com base nesta síntese, conclui-se que, dentro de uma perspectiva sistêmica da Ecologia, consideramos o ambiente, (também um sistema) que envolve o sistema, objeto de estudo ou de qualquer outro, como sendo integrado por elementos de cada uma destas linhas de sistema.
Isto equivale a conceber o ambiente, em sua totalidade, integralidade e abrangência, como constituído por elementos representativos das quatro linhas de sistemas referidas (ambiente físico, biológico, tecnológico e antropossocial), o que corresponde ao enfoque sistêmico da Ecologia e, permite caracterizar, assim, uma Ecologia Sistêmica.
O enfoque sistêmico (Sistemismo), referido no Capítulo anterior e, a visão ecológica, tratada neste Capítulo, serão focalizados, conjuntamente, a seguir, sob a designação de abordagem sistêmica ecológica ou Sistemismo Ecológico, correspondente ao primeiro e ao segundo degraus do processo de elaboração da metodologia sistêmica ecológica cibernética informacional, abreviadamente, Sistemismo Ecológico Cibernético.

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Diagramação: Marcos A. de Oliveira
Técnico em Informática

Dados Internacionais de catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Paim, Edson N.
Paim, Rosalda C. N.
Sistemismo Ecológico Cibernético / Edson N. Paim, Rosalda Paim
Técnica: Marcos Antônio de Oliveira - Lambari (MG);
Cel Informática & Editoração Ltda., 2004. 342 p.

1 - Sistemismo Ecológico Cibernético - Um Paradigma Holístico